Preço certo · Precificação

Dar preço sem perder dinheiro

A maioria das construction businesses não quebra por construir mal. Quebra por precificar errado. O passo que quase todo mundo pula é somar overhead e lucro antes de fechar.

Miriam Matos Por Miriam Matos · FourRise Consulting

A maioria das construction businesses não quebra por construir mal. Quebra por precificar errado. O contractor domina a obra, entrega com qualidade, tem cliente satisfeito, e mesmo assim o dinheiro não sobra. O gargalo não está na parede, está na planilha de preço. E quase sempre é o mesmo passo que falta: somar overhead e lucro antes de fechar.

Preço não é custo mais um número que parece bom. É custo direto, mais overhead, mais lucro. Pular qualquer uma dessas três partes é fechar a obra no vermelho sem perceber.

A fórmula completa do preço

Todo preço saudável tem três camadas:

Se as três camadas não estão no preço, você não está vendendo a obra, está subsidiando ela.

Os erros que fazem você perder dinheiro

Cobrir custo não é ter lucro

Esta é a confusão que mais dói. Quando você soma custo direto e overhead, você chega ao ponto em que a obra empata: nem ganha, nem perde. O lucro é o que vem depois disso, e só entra se você adicionar de propósito. Uma margem líquida saudável na construção fica entre 10% e 12%. Abaixo de 5%, a empresa está em suporte de vida: ocupada, faturando, mas trabalhando de graça assim que um erro, um atraso ou um pagamento em atraso aparece.

Um exemplo do começo ao fim

Uma reforma com os seguintes custos diretos, uma empresa com 30% de overhead e meta de 12% de lucro:

ComponenteValor (US$)
Materiais20.000
Mão de obra (com burden)15.000
Subempreiteiros8.000
Custo direto total43.000
Overhead (30% da receita)22.240
Lucro (12% da receita)8.900
Preço final da obra74.140

Repare: o custo direto é US$43 mil, mas o preço correto é US$74 mil. Quem orça "US$43 mil mais uns 15%" e cobra US$50 mil não cobriu o overhead nem separou lucro, e vai terminar a obra achando que ganhou US$7 mil quando, na verdade, perdeu. A conta que fecha usa a fórmula: custo direto dividido por (1 menos overhead menos lucro), ou seja, 43.000 ÷ 0,58.

Reveja o preço, sempre

Preço não é decisão de uma vez só. Reveja pelo menos duas vezes por ano, e mais ainda se a sua agenda está cheia por mais de quatro a seis semanas, sinal claro de que dá para cobrar mais. Precificar certo não é cobrar caro. É garantir que cada obra pague o custo de fazê-la, o custo de manter a empresa e ainda deixe lucro para você crescer. Sem isso, faturar mais só acelera o problema.

A armadilha de competir por preço

Existe uma tentação forte, principalmente em mercado apertado: baixar o preço para ganhar a obra. O problema é que preço é a única vantagem que qualquer concorrente consegue copiar em cinco minutos. Quem vence pelo menor preço entra numa corrida para o fundo, e a cada obra abre mão de um pedaço da margem que deveria financiar o crescimento. Ganha o contrato e perde a empresa aos poucos.

A saída não é cobrar caro por capricho, é justificar o preço com estrutura: contrato claro, cronograma cumprido, comunicação, garantia. O cliente que só decide por preço geralmente é o mesmo que atrasa pagamento e discute cada change order. O cliente que valoriza confiabilidade paga pelo profissional, e é com ele que a empresa cresce.

Sinais de que você está subprecificando

Se você reconheceu dois ou mais desses sinais, o problema quase certamente não é volume de trabalho, é preço. E a boa notícia é que preço é a variável mais rápida de corrigir: não exige contratar, comprar equipamento nem trabalhar mais. Exige apenas parar de vender a obra por menos do que ela custa para a empresa.

Descubra a fase do seu negócio

Em menos de 5 minutos, saiba onde a sua empresa está, o que trava o crescimento e qual é o próximo passo estruturado.

Começar agora (grátis)

Confira outros artigos

Mais conteúdo da FourRise, na linguagem da obra.